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Orientações para promoção das vocações sacerdotais


INTRODUÇÃO

1. A Assembleia Plenária da Congregação para a Educação Católica solicitou a publicação de orientações pastorais para promover as vocações ao ministério sacerdotal.

Para responder a tal solicitação, a Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais, em colaboração com os seus Consultores, com os representantes da Congregação para a Evangelização dos Povos, da Congregação para as Igrejas Orientais e para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e da Congregação para o Clero, elaborou um Inquérito sobre a pastoral do ministério sacerdotal com a finalidade de obter um quadro atualizado da pastoral vocacional nas diferentes regiões do mundo, especialmente no que diz respeito ao sacerdócio ministerial.

O Inquérito foi enviado no dia 15 de Maio de 2008, por meio das Representações Pontifícias, a todos os delegados da pastoral vocacional das Conferências Episcopais e aos diretores dos “Centros Nacionais Vocacionais”, para que pudessem fornecer informações acerca da situação das vocações e formular propostas de ações pastorais.

Examinadas as respostas das Conferências Episcopais e dos Centros Nacionais ao Inquérito, surgiu o pedido de orientações para a pastoral vocacional, com base numa clara e fundamentada teologia da vocação e da identidade do sacerdócio ministerial.

I. A PASTORAL DA VOCAÇÃO AO MINISTÉRIO SACERDOTAL NO MUNDO

2. Atualmente a situação das vocações presbiterais é muito diversificada no mundo. Ela apresenta-se caracterizada por luzes e sombras. Enquanto no Ocidente se enfrenta o problema da diminuição das vocações, nos outros continentes, não obstante os poucos meios, nota-se um crescimento promissor das vocações sacerdotais.

Nos países de antiga tradição cristã a preocupante diminuição numérica dos sacerdotes, o crescente aumento da sua média de idade e a necessidade da nova evangelização esboçam a apresentação de uma nova situação eclesial.

A diminuição do índice de natalidade também contribui para a diminuição das vocações de especial consagração. A vida dos fiéis católicos sofre o contragolpe da procura desenfreada dos bens materiais e da diminuição da prática religiosa, que desviam das escolhas corajosas e comprometidas com o Evangelho.

Assim sendo, como escreveu o Santo Padre Bento XVI: «Precisamente no nosso tempo conhecemos muito bem o “dizer não” de quantos foram convidados primeiro. De fato, a cristandade ocidental, isto é, os novos “primeiros convidados”, agora em grande parte se recusam, não têm tempo para se encontrar com o Senhor».
Por mais que a pastoral vocacional seja estruturada e criativa na Europa e nas Américas, os resultados obtidos não correspondem ao empenho amplamente despendido. Todavia, ao lado de situações difíceis, que devem ser vistas com coragem e verdade, registram-se alguns indícios de progressos, especialmente onde se formulam claras e consistentes propostas de vida cristã.

3. A oração da comunidade cristã sempre reforçou, no povo de Deus, a consciência comum para as vocações, na forma de uma “solidariedade espiritual”.
Ali onde amadurece e se fortifica uma pastoral integrada, seja ela familiar, juvenil ou missionária, juntamente com a pastoral vocacional, assiste-se a um florescimento de vocações sacerdotais. As Igrejas locais tornam-se realmente «responsáveis pelo nascimento e pela maturação das vocações sacerdotais». A dimensão vocacional não se propõe assim como um simples acréscimo de programações e de propostas, mas torna-se natural expressão de toda a comunidade.

Os dados estatísticos da Igreja Católica e algumas pesquisas sociológicas mostram que, quando são propostas iniciativas de nova evangelização nas paróquias, nas associações, nas comunidades eclesiais e nos movimentos, os jovens demonstram disponibilidade para responder ao chamamento de Deus e para oferecer a própria vida ao serviço da Igreja.

A família permanece a primeira comunidade para a transmissão da fé cristã. Constata-se, por toda a parte, que muitas vocações presbiterais nascem nas famílias, nas quais o exemplo de uma vida cristã coerente e a prática das virtudes evangélicas fazem brotar o desejo de uma doação total. A solicitude com as vocações pressupõe, de fato, uma válida pastoral familiar.

É necessário ainda acrescentar que, muitas vezes, a interrogação sobre a vocação presbiteral nasce nos adolescentes e nos jovens graças ao alegre testemunho dos presbíteros.

O testemunho de sacerdotes unidos a Cristo, felizes do próprio ministério e fraternalmente unidos entre si, suscita nos jovens um forte chamamento vocacional. Os Bispos e os sacerdotes oferecem aos jovens uma elevada e atraente imagem do sacerdócio ordenado. «A própria vida dos padres, a sua dedicação incondicional ao rebanho de Deus, o seu testemunho de amoroso serviço ao Senhor e à sua Igreja – testemunho assinalado pela opção da cruz acolhida na esperança e na alegria pascal -, a sua concórdia fraterna e o seu zelo pela evangelização do mundo são o primeiro e mais persuasivo fator de fecundidade vocacional».

De fato, os sacerdotes são frequentemente testemunhas de dedicação à Igreja, capazes de uma alegre generosidade, de uma humilde adaptação às diversas situações nas quais se encontram e trabalham. O seu exemplo suscita o desejo de grandes compromissos na Igreja e a vontade de doar a própria vida ao Senhor e aos irmãos. Exerce uma forte atração, especialmente nos jovens, o compromisso dos sacerdotes com as pessoas sedentas de Deus, dos valores religiosos e que se encontram na condição de grande pobreza espiritual.
Nota-se também que muitos jovens descobrem o chamamento ao sacerdócio e à vida consagrada depois de terem vivido uma experiência de voluntariado, um serviço de caridade para com os que sofrem, os necessitados e os pobres, ou depois de se terem dedicado por algum tempo nas missões católicas.

A escola é outro ambiente da vida dos adolescentes e dos jovens, no qual o encontro com um sacerdote professor ou a participação em iniciativas de aprofundamento da fé cristã têm proporcionado o início de um caminho de discernimento vocacional.

4. A difusão da mentalidade secularizada desencoraja a resposta dos jovens ao convite de seguir o Senhor Jesus, com mais radicalidade e generosidade.

Ao Inquérito promovido pela Pontifícia Obra para as Vocações Sacerdotais, as Igrejas locais enviaram muitas respostas que evidenciam uma série de motivos pelos quais os jovens ignoram a vocação sacerdotal e a reenviam a um futuro incerto.
Além disso, os pais, com as suas expectativas acerca do futuro dos filhos, reservam espaços limitados à possibilidade de vocações de especial consagração.

Outro aspecto que desfavorece a vocação presbiteral é a gradual marginalização do sacerdote na vida social, com a consequente perda da relevância pública. Além disso, em muitos lugares a própria escolha celibatária é colocada em discussão. Não somente uma mentalidade secularizada, mas também opiniões erradas no interior da Igreja conduzem ao desprezo do carisma e da escolha celibatária, mesmo se não podem ser silenciados os graves efeitos negativos da incoerência e do escândalo, causados pela infidelidade aos deveres do ministério sacerdotal entre os quais, por exemplo, os abusos sexuais. Isso cria confusão nos próprios jovens que, não obstante isso, estariam dispostos a responder ao chamamento do Senhor.

A própria vida presbiteral, arrastada no turbilhão do ativismo exagerado com a consequente sobrecarga de trabalho pastoral, pode ofuscar e enfraquecer a luminosidade do testemunho sacerdotal. Em tal situação, a promoção dos caminhos pessoais e o acompanhamento espiritual dos jovens tornam-se uma ocasião propícia para a proposta e o discernimento da vocação, especialmente da vocação presbiteral.

II. VOCAÇÃO E IDENTIDADE DO SACERDÓCIO MINISTERIAL

5. A identidade da vocação ao ministério sacerdotal coloca-se no íntimo da identidade do cristão enquanto discípulo de Cristo. «A história de cada vocação sacerdotal, como, aliás, de qualquer outra vocação cristã, é a história de um inefável diálogo entre Deus e o homem, entre o amor de Deus que chama e a liberdade do homem que no amor responde a Deus».

Os Evangelhos apresentam a vocação como um maravilhoso encontro de amor entre Deus e o homem. Este é o mistério do chamamento, mistério que envolve a vida de cada cristão, mas que se manifesta com maior evidência naqueles que Cristo convida a deixar tudo para O seguir mais de perto. Cristo sempre escolheu algumas pessoas para colaborarem de maneira mais direta com Ele na realização do desígnio salvífico do Pai.

Jesus, antes de chamar os discípulos a um serviço particular, convida-os a deixar tudo, para viver em profunda comunhão com Ele, ou melhor, para “estar” com Ele (Mc 3,14).

Também hoje o Senhor Ressuscitado chama os futuros presbíteros para transformá-los em verdadeiros anunciadores e testemunhas da sua presença salvífica no mundo.

É no exemplo daquela experiência que nasce a necessidade de ser companheiro de viagem de Cristo Ressuscitado, de empreender um percurso de vida que nada dá como certo, mas que, com docilidade, se abre ao Mistério de Deus que chama.

6. Cristo Pastor é origem e modelo do ministério sacerdotal. Ele mesmo decidiu confiar a alguns dos seus discípulos a autoridade de oferecer o Sacrifício eucarístico e de perdoar os pecados.

«E assim, enviando os Apóstolos tal como Ele tinha sido enviado pelo Pai, Cristo, através dos mesmos Apóstolos, tornou participantes da sua consagração e missão os sucessores deles, os Bispos, cujo ofício ministerial, em grau subordinado, foi confiado aos presbíteros, para que, constituídos na Ordem do presbiterado, fossem cooperadores da Ordem do episcopado para o desempenho perfeito da missão apostólica confiada por Cristo». (mais…)

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