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Um livro simples e objectivo que aborda elementos muito específicos e actuais referentes à liturgia. Enfatiza temas referentes ao “espírito” da liturgia, como a atitude necessária para se celebrar e o significado da adoração eucarística. Procura ainda explicar algumas acções litúrgicas reintroduzidas pelo Papa Bento XVI, como a cruz no altar e a comunhão de joelhos. Um excelente subsídio de actualização e aprofundamento para os que se interessam por liturgia, sejam leigos ou clérigos.
Autor: Guido Marini
N.º Páginas: 64
Edição: 
ISBN: 9789723015478
Dimensões: 11 x 20                                                                                                                                                                                                                         Editora Paulus

Aqui, a título de divulgação, disponibilizamos a Introdução que precede os seis pequenos capítulos em que aborda:

  1. A sagrada liturgia, um grande dom de Deus à Igreja
  2. A orientação da oração litúrgica
  3. A adoração e a união com Deus
  4. A participação activa
  5. Silêncio e canto para orar melhor
  6. A música sacra ou litúrgica

Introdução ao Livro

Com esta reflexão, proponho-me tratar alguns temas concernentes ao espírito da liturgia. Proponho-me muito, apetecia-me dizer: muitíssimo. Não apenas porque falar do espírito da liturgia é tarefa empenhada e complexa, mas também porque, sobre este tema, houve obras importantíssimas de autores de indubitável e altíssimo valor litúrgico e teológico. Penso em apenas dois exemplos, entre outros: Romano Guardini e Joseph Ratzinger.

Por outro lado, é verdade que falar hoje do espírito da liturgia é sobremaneira necessário, sobretudo entre os sacerdotes. Também porque é urgente reafirmar o “autêntico” espírito da liturgia, tal como está presente na ininterrupta Tradição da Igreja e testemunhado na continuidade com o passado, no magistério mais recente: a partir do Concílio Vaticano II até Bento XVI.

Escrevi “continuidade”: é uma palavra querida ao actual Pontífice que, com autoridade, fez dela o critério para a única interpretação correcta da vida da Igreja e, de modo especial, dos documentos conciliares, como também dos propósitos de reforma a todo o nível neles contidos. E não podia ser de outro modo. Pode-se porventura imaginar uma Igreja de antes e uma Igreja do depois, como se tivesse produzido uma secessão na história do corpo eclesial? Ou pode-se porventura afirmar que a esposa de Cristo tenha entrado, no passado, num tempo histórico no qual o Espírito não a tenha assistido, de modo que este tempo deva ser quase esquecido ou cancelado?

Todavia, por vezes alguns dão a impressão de aderir àquela que é justo definir como uma autêntica ideologia, ou seja, uma ideia preconcebida e aplicada à História da Igreja e que não tem nada que ver com a fé autêntica.

Fruto dessa ideologia desviante é, por exemplo, a recorrente distinção entre a Igreja pré-conciliar e Igreja pós-conciliar. Uma tal linguagem pode até ser legítima, mas com a condição de não se entender com isso duas Igrejas: uma – pré-conciliar – que não teria mais nada a dizer ou a dar, porque irremediavelmente ultrapassada, a outra – a pós-conciliar – que seria uma realidade nova saída do Concílio e de um seu presumível espírito, em ruptura com o seu passado. Este modo de falar e, mais ainda, de “sentir” não deve ser o nosso. Além de ser erróneo, está ultrapassado e datado, talvez historicamente compreensível, mas ligado a uma estação eclesial já concluída.

O que se afirmou até agora a propósito de “continuidade” terá algo que ver com o tema que estamos a desenvolver? Evidentemente que sim. Porque não poderá haver espírito autêntico da liturgia se não nos abeirarmos da mesma com ânimo sereno, não polémico em relação ao passado, quer remoto quer recente. A liturgia não pode nem deve ser terreno de reencontro entre quem encontra o bem só naquilo que está antes de nós e quem, pelo contrário, naquilo que está antes encontra quase sempre o mal. Só a disposição para encarar o presente e o passado da liturgia da Igreja como um património único e em desenvolvimento homogéneo nos pode levar a perceber, com alegria e com gosto espiritual, o autêntico espírito da liturgia. Um espírito que não é fruto das nossas invenções. Um espírito, acrescento, que nos leva ao essencial da liturgia, ou seja, à oração inspirada e guiada pelo Espírito Santo, em que Cristo se continua a tornar nosso contemporâneo, a fazer irrupção na nossa vida. Na verdade, o espírito da liturgia é a liturgia do Espírito.

A respeito do tema proposto, não pretendo ser exaustivo. Não pretendo tão-pouco tratar todos os temas que seria útil tratar para se obter uma panorâmica complexa da questão. Limito-me a considerar alguns aspectos da essência da liturgia, com referência específica à celebração eucarística, tal como a Igreja no-los apresenta e como aprendi a aprofundá-los nestes quatro anos de serviço junto a Bento XVI: um verdadeiro mestre do espírito litúrgico, quer pelo seu ensinamento, quer pelo exemplo do seu celebrar.

E se, ao considerar alguns aspectos da essência da liturgia, der comigo a referir algum comportamento que acho não estar em sintonia com o autêntico espírito litúrgico, fá-lo-ei simplesmente para oferecer um pequeno contributo a fim de que tal espírito possa sobressair ainda mais em toda a sua beleza.

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